B¶ Veneza
Há cidades românticas e cidades românticas; propícias ao romance e românticas de arquitectura, escrita pintura, you name it.
Costuma dizer-se que os animais adquirem a personalidade dos seus donos; o meu é um gato, independente, inteligente e com a mania que é sexy.
Acredito que as cidades moldam as pessoas que lá vivem e no fundo são o espelho de quem lá vive.
Veneza, é um imenso espelho, não só por ter água por todo o lado, mas também porque reflecte muito bem quem lá habita. Os gondoleiros são a publicidade mais enganosa que já vi na minha vida. Uma pessoa entra na gôndola com promessas de romantismo e vai-se a ver e é só fogo de vista. Preservativos a boiar nos canais, um cheiro que não se pode, conversas de engate já mais que conhecidas, e paga-se um balúrdio pela voltinha. É preferível andar a pé ou a nado.
Toda a atmosfera de Veneza, rima beleza. Ruas lindas, pontes lindas e homens ainda mais lindos de morrer e ressuscitar por mais.
Mas lá está, é mais um pacote enganador. Gosto de folhear as revistas e ver aqueles modelos enxutos [não desdenhando os húmidos dos anúncios a perfumes], gosto que alguns parecidos com os das revistas se venham meter comigo, mas depois está-se mesmo a ver, não têm nada naquelas bonitas e metro-sexuais cabeças.
A Bienal de Beleza, com a sua arte às toneladas, Tintorettos a cada golpe de tacão e igrejas fabulosas, vidro de Murano é um grande festival de fogo de artifício chinês [vêm em caixas pequenas por 25€] mas acaba num instante.
Os homens venezianos são assim, muito fogo, artifício em doses superiores e ao fim de meia hora acabou-se.
[Compram-se mais caixas!]
É a Cidade Flirt.

